Seca, solos argilosos e fissuras no verão: como o terreno afeta a sua casa

    As fissuras que aparecem ou pioram no verão são, frequentemente, consequência da retração dos solos argilosos: quando o solo perde humidade durante os períodos secos e quentes este contrai-se, e a fundação desloca ligeiramente e provoca fissuras nas paredes, desníveis e danos crescentes na habitação. Costumam ser identificadas porque pioram entre junho e setembro e estabilizam parcialmente após as chuvas.

    Todos os verões, milhares de habitações podem ser afetadas por um problema que que tem origem no subsolo: a seca. Quando o solo é argiloso e perde humidade durante períodos secos e quentes, o mesmo contrai-se e pode provocar movimentos nas fundações.

    O resultado costuma ser visível sob a forma de fissuras nas paredes, desníveis ou danos cumulativos na habitação.
    Embora muitas pessoas associem as fissuras nas paredes exclusivamente ao envelhecimento do edifício, na realidade o comportamento do solo é um dos fatores mais importantes para compreender por que razão estas fissuras surgem e porque razão algumas pioram especialmente durante os meses de verão.

     

    PORQUE É QUE A SECA PODE PROVOCAR FISSURAS NUMA CASA?

    O solo sobre o qual assenta uma habitação nunca está completamente imóvel. O seu comportamento muda com o passar do tempo e sobre a influência de fatores como a presença de água, temperatura ou a constituição do solo.

    É muito frequente em Portugal o solo ser argiloso. Este tipo de solo tem uma característica muito específica: o seu volume varia consoante o nível de humidade.

    • Quando absorve água → aumenta de volume (expansão).

    • Quando perde água → diminui de volume (retração).

    Esquema de retração e expansão de solos argilosos sob a fundação de uma habitação

    Durante o verão, especialmente após períodos prolongados de pouca chuva e altas temperaturas, o solo perde humidade.

    Se sob uma habitação existirem camadas de solo argiloso, essa perda de água pode provocar uma redução do volume do solo.

    Quando essa retração não ocorre de forma uniforme em toda a fundação, surgem os chamados assentamentos diferenciais, ou seja, zonas da casa que se movimentam mais do que outras.

    E é aí que começam os sinais visíveis.

    SINAIS QUE PODEM INDICAR QUE A SECA ESTÁ A AFETAR O SOLO

    Alguns sinais frequentes são:

    Um aspeto importante é que muitas fissuras relacionadas com solos argilosos apresentam um comportamento sazonal: agravam-se no verão e podem estabilizar parcialmente após períodos de chuva.

    Fissura diagonal na fachada de uma habitação devido à retração do solo argiloso

     

    QUAIS OS RISCOS SE NÃO FOR TOMADA NENHUMA MEDIDA?

    Nem todas as fissuras implicam um problema estrutural grave, mas ignorá-las pode aumentar a escala da intervenção necessária para compactar o solo. Quando o terreno continua a perder capacidade de carga, podem ocorrer:
    RISCOS PROBLEMA QUE PODE PROVOCAR
    Deterioração progressiva da estrutura Os movimentos contínuos geram tensões que afetam paredes, paredes de suporte e elementos construtivos.
    Aumento do custo de reparação Atuar quando aparecem os primeiros sinais costuma ser mais simples do que intervir quando o problema já está instalado.
    Perda de conforto e funcionalidade Portas empenadas, pavimentos danificados ou caixilharias que deixam passar água ou ar.
    Diminuição do valor do imóvel As patologias estruturais costumam afetar diretamente o valor de mercado e a perceção do comprador.

    A SITUAÇÃO EM PORTUGAL: SECA, CALOR E ZONAS DE SOLOS ARGILOSOS

    Portugal é especialmente vulnerável aos períodos de seca devido às suas características climáticas e geológicas.
    Nos últimos anos registaram-se episódios prolongados de défice hídrico. O aumento das temperaturas e os períodos prolongados de seca favorecem uma maior perda de humidade no solo. Em solos argilosos, esta dessecação pode provocar retrações do solo que acabem por afetar a estabilidade da habitação e favorecer o aparecimento de fissuras.

    Embora 2024 tenha sido um ano mais húmido do que os anteriores, a distribuição da chuva continua a ser muito irregular e as zonas do Baixo Alentejo e Algarve estiveram 10 dos 12 meses nas classes de seca meteorológica com muitos locais a registarem seca severa.

    Em Portugal existem várias áreas onde coincidem frequentemente episódios de seca e predominam os solos argilosos:

    • Aveiro

    • Lisboa

    • Évora

    • Setúbal

    • Beja

    • Faro

    Estas regiões registam inumerosos casos de movimentos do solo associados a ciclos de humidade e seca.

    Por isso, não é raro que muitas habitações apresentem novas fissuras ou o agravamento das já existentes precisamente entre junho e setembro.

    DADOS SOBRE HUMIDADE E SECA

    De acordo com os dados e ferramentas de monitorização do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a humidade do solo em Portugal tem registado, nos últimos anos, valores persistentemente baixos durante os meses mais quentes, especialmente no sul do país. O organismo utiliza o chamado «Índice de Água no Solo» (AS), que mede a quantidade de água disponível nos primeiros metros do solo e permite identificar situações de seca e dessecação do solo. Em vários períodos recentes, o IPMA revelou que amplas zonas do Alentejo e do Algarve apresentavam níveis de humidade muito reduzidos, próximos do ponto de dessecação permanente do solo. 

    O EUROCÓDIGO 7 NOS PROJETOS DE ESTRUTURAS DE ENHENHARIA CIVIL

    O eurocódigo NP EN 1997-1:2010 estabelece diretrizes rigorosas para o projeto geotécnico tratando os solos argilosos com especial atenção devido à sua baixa permeabilidade, suscetibilidade a variações de volume e comportamento dependente do tempo.

     

    COMO AGIR QUANDO SURGEM FISSURAS DEVIDO À SECA?

    Um dos erros mais frequentes é reparar apenas a fissura. Tapar uma fissura sem atuar sobre a origem pode fazer com que volte esta aparecer meses depois.

    O procedimento recomendado costuma ser o seguinte:

    • Monitorizar o comportamento das fissuras: Analisar se estão ativas e se evoluem ao longo do tempo.

    • Analisar o solo e a fundação: Determinar se existe perda de capacidade de carga ou movimentos associados à retração do solo.

    • Atuar sobre a causa do problema: Quando a origem está no terreno, a solução deve centrar-se em melhorar as suas propriedades mecânicas.

    Técnico a medir uma fissura numa fachada para avaliar o movimento do terreno

     

    INJEÇÕES DE RESINAS EXPANSIVAS DA URETEK: UMA SOLUÇÃO PARA MELHORAR O TERRENO

    Quando as fissuras estão relacionadas com perdas de capacidade de carga do terreno ou movimentos associados à seca, uma das soluções utilizadas é a consolidação do solo mediante injeções de resinas expansivas.

    Esta tecnologia consiste na injeção de resinas específicas sob a fundação para melhorar as características do solo e aumentar a sua capacidade de carga.

    Destacamos as seguintes vantagens:

    • Intervenção rápida.

    • Intervenção minimamente invasiva.

    • Sem escavações.

    • Atuação localizada.

    • Monitorização e controlo contínuos durante a intervenção.

    Em casos que envolvem solos argilosos e perda de humidade, este tipo de solução permite melhorar o comportamento do solo e ajudar a estabilizar a habitação.

    A solução concreta deve ser sempre definida após uma avaliação técnica do caso.

    equipa da Uretek a injetar resina expansiva para consolidar o terreno de fundação

     

    A URETEK, TEM MAIS DE 35 ANOS DE EXPERIÊNCIA A RESOLVER PROBLEMAS DO TERRENO

    A Uretek tem mais de 35 anos de especialização em injeções de resinas expansivas e já realizámos mais de 66.000 intervenções em diferentes tipos de edifícios e infraestruturas.

    A nossa experiência inclui intervenções em habitações comprometidas por:

    • Fissuras por assentamento diferencial.

    • Movimentos da fundação.

    • Problemas associados à seca.

    • Retração de solos argilosos.

    • Perda de capacidade de carga do terreno.

    Cada intervenção parte da análise do comportamento real do edifício para propor uma solução adaptada à causa do problema.

    Aqui pode ver um vídeo onde falamos sobre a problemática da seca no terreno:

    Além disso, a Uretek elaborou um guia que lhe dá as dicas essenciais para garantir a segurança da sua casa face a problemas como a seca; pode descarregá-lo aqui

    Guia da Uretek para conservar a habitação face a fissuras e problemas do terreno

     

    PERGUNTAS FREQUENTES

    A seca pode provocar fissuras numa casa?
    Sim. Quando o solo perde humidade pode ocorrer uma retração do terreno que gera movimentos na fundação e origina fissuras.

    Porque aparecem mais fissuras no verão?
    Porque as temperaturas elevadas e a falta de chuva favorecem a perda de água do solo. Em solos argilosos isto pode provocar retrações e assentamentos diferenciais.

    Todas as fissuras indicam um problema estrutural?
    Não necessariamente. Algumas são superficiais, mas se aumentarem de tamanho, aparecerem várias ao mesmo tempo ou afetarem portas e janelas, convém analisá-las.

    As fissuras provocadas pela seca desaparecem quando volta a chover?
    Nem sempre. Embora alguns movimentos possam estabilizar-se, os danos cumulativos podem persistir e continuar a evoluir.

    Como saber se o problema está no solo?
    É necessário estudar o comportamento das fissuras e analisar caso a caso.

    As injeções de resina expansiva são eficazes em habitações afetadas pela seca?
    Em muitos casos, sim. Quando o problema está relacionado com uma perda de resistência do solo, as injeções de resina expansiva podem ajudar a melhorar as suas propriedades e estabilizar o suporte da fundação.