Fissuras perigosas vs. fissuras estéticas: como diferenciá-las

    Diferenciar as fissuras perigosas das fissuras estéticas é fundamental para saber se a sua habitação está segura. Se estivermos perante fissuras estruturais, a sua habitação pode sofrer danos graves. 

    Para isso, é necessário conhecer o que as provoca e utilizar a melhor forma de as solucionar. Neste artigo vamos dar-lhe as chaves para esclarecer dúvidas e conseguir identificar corretamente as fissuras.

     

    O QUE SÃO FISSURAS E POR QUE APARECEM

    Antes de categorizar fissuras, é útil entender o que são:

    • Uma fissura fina costuma ser uma abertura muito pequena, quase como um “fio de cabelo” na parede, que normalmente não compromete a estrutura profunda da parede.

    • Uma fissura é mais larga e atravessa as camadas da parede ou elemento construtivo.

    Em Portugal, quase todos os edifícios apresentam algum tipo de fissura com o passar do tempo. Isto pode dever-se ao envelhecimento natural da construção, movimentos do terreno, dilatações térmicas, humidade, assentamentos, etc.

    TABELA COMPARATIVA: FISSURAS PERIGOSAS VS. FISSURAS ESTÉTICAS

    Característica Fissuras perigosas (estruturais) Fissuras estéticas
    Profundidade Profundas, chegam ao núcleo estrutural Superficiais, apenas revestimento
    Largura típica > 2–3 mm, pode aumentar com o tempo < 1 mm ou pouco visíveis
    Forma frequente Diagonais, escalonadas, horizontais em pontos críticos Lineares e finas
    Evolução Podem agravar-se com o tempo Estabilizadas, não mudam
    Afeta a segurança Sim, pode comprometer a estabilidade Não compromete a segurança
    Exige técnico Sim, requer inspeção profissional Não (exceto estética)
    Reparação Complexa (resinas, reforços) Simples (selagem, pintura)

     

    NORMATIVA QUE AFETA A SEGURANÇA ESTRUTURAL EM PORTUGAL

    Em Portugal, a segurança estrutural dos edifícios é assegurada através de um conjunto de regulamentos e normas técnicas, que definem os requisitos a cumprir desde a fase de projeto até à execução e utilização das construções.

    • O Regulamento de Estruturas de Betão Armado e Pré-Esforçado (REBAP) estabelece as regras de dimensionamento e verificação das estruturas de betão armado e pré-esforçado, garantindo a sua segurança e durabilidade

    • Para estruturas metálicas, aplica-se o Regulamento de Estruturas de Aço (REA), que define os critérios de projeto e verificação deste tipo de elementos estruturais.

    • Atualmente, os Eurocódigos Estruturais, adotados em Portugal através das respetivas Normas Portuguesas (NP EN) e Anexos Nacionais, constituem o principal referencial técnico para o projeto estrutural, nomeadamente: 

      • Eurocódigo 0 (EN 1990) – Bases do projeto estrutural.

      • Eurocódigo 1 (EN 1991) – Ações em estruturas.

      • Eurocódigo 2 (EN 1992) – Projeto de estruturas de betão.

      • Eurocódigo 7 (EN 1997) – Projeto geotécnico.

      • Eurocódigo 8 (EN 1998) – Projeto de estruturas resistentes a sismos.

    • No âmbito da reabilitação de edifícios existentes, são igualmente relevantes os princípios definidos no Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação (RJUE) e as orientações técnicas aplicáveis à avaliação da segurança estrutural em construções antigas.

    fissuras perigosas

     

    DEFINIÇÃO DE FISSURAS PERIGOSAS OU ESTRUTURAIS

    As fissuras estruturais são aquelas que afetam elementos que suportam o edifício, como:

    • Paredes mestras

    • Pilares

    • Vigas

    • Fundações

    Estas fissuras costumam:

    • Ser profundas e largas.

    • Ter direções diagonais ou atravessar a parede.

    • Continuar a aumentar com o tempo.

    • Indicar movimentos na estrutura ou do terreno.

    Um exemplo comum é uma fissura diagonal numa parede mestra, que pode indicar assentamento diferencial do terreno ou falha na fundação.

    fissura diagonal

    Importante: Se notar fissuras que mudam com o tempo ou alargam, deve chamar um técnico especializado (arquiteto/engenheiro) para avaliação.

    DEFINIÇÃO DE FISSURAS ESTÉTICAS

    As fissuras estéticas não comprometem a segurança da estrutura. Geralmente aparecem:

    • No revestimento (gesso, pintura)

    • Em superfícies de acabamento

    • Devidas a dilatação térmica ou pequenos movimentos sem afetação estrutural.

    Estas fissuras são muito frequentes e, embora possam ser visíveis, não representam perigo para a estabilidade do edifício.

    fissuras estéticas

     

    COMO REPARAR FISSURAS ESTÉTICAS

    As fissuras estéticas são reparadas com técnicas simples e de baixo custo. Um procedimento típico é:

    • Limpeza da fissura: remover pó e fragmentos.

    • Preenchimento com argamassa ou massa: específica para paredes interiores ou exteriores.

    • Lixamento e alisamento.

    • Pintura ou repintura conforme o acabamento desejado.

    Este tipo de reparação é comum em casas e apartamentos onde o objetivo é recuperar uma estética uniforme sem intervenções estruturais.

    💡 Dica: Mesmo que não seja estrutural, melhorar a reparação estética evita que a humidade entre e deteriore ainda mais o material.

    COMO REPARAR FISSURAS ESTRUTURAIS

    As fissuras estruturais exigem soluções mais complexas, pois o objetivo é restaurar a integridade do elemento que suporta cargas, não apenas tapá-las superficialmente. As principais técnicas são:

    • Injeções de resina (reparação interna eficaz)

    Uma das soluções mais avançadas e eficazes para fissuras estruturais são as injeções de resinas expansivas. Este sistema permite resolver o problema na raiz, de forma rápida, económica e minimamente invasiva.

    A resina é injetada no terreno, consolidando-o em profundidade e resolvendo o problema.

    injeções de resinas expansivas

    Este tipo de reparação é usado tanto em fundações como em paredes, pilares ou vigas que sofreram fissuras importantes devido a movimentos do terreno, assentamentos, vibrações ou alterações térmicas.

    Vantagens da injeção de resina:

    • Solução duradoura e sólida.

    • Não requer demolições nem escavações.

    • Mantém a estética final após a intervenção.

    • Não é necessário desocupar a habitação durante a intervenção.

    EXEMPLOS REAIS DE OBRAS JÁ REALIZADAS

    RESUMO: QUANDO PREOCUPAR-SE E O QUE FAZER

    • Fissura estética: pouco profunda, fina (< 1 mm), não aumenta, apenas afeta o acabamento → repara-se com massas e pintura.

    • Fissura perigosa: profunda, larga ou em elementos estruturais (pilares, paredes mestras) → requer avaliação profissional e possivelmente injeções de resina ou outras técnicas estruturais.

    CONCLUSÃO

    Diferenciar entre fissuras estéticas e perigosas é fundamental para manter a sua habitação segura, funcional e com valor. As fissuras estéticas são geralmente meros sinais de envelhecimento ou movimentos superficiais, enquanto as fissuras estruturais podem colocar em risco a integridade do edifício. Solucioná-las corretamente é essencial para proteger o seu investimento e a sua segurança. Não hesite em contactar-nos para o ajudar a resolver problemas de fissuras estruturais